sábado, 11 de maio de 2013

o meu porta-lápis



O meu porta-lápis
Tem imensas várias coisas
Não é lugar para mais nada
Do que p’ras coisas que aqui poisas.

Primeiro veio o lápis
Com muito bom currículo
Sabia andar de bicicleta
De mota e de triciclo.

Depois de muita discussão
O lápis foi aprovado
Mas os colegas que lá estavam
Começaram a olhá-lo de lado.

Depois a sua priminha
Decidiu também aparecer
A borracha, borrachinha
Veio só para aprender.

Foi fácil aprová-la
Com a sua boa laia
Para mudar a decisão.
Até veio de minissaia.

O lápis ficou lesionado
A ponta dele gastou-se.
SOS! Venham socorrer!
A afia logo chegou.

Com urgência imediata
A afia socorreu o pobre
Eles ficaram de boca aberta
Ficou com medalha de cobre.

O lápis sentia-se sozinho
Sem ninguém da sua espécie
Vieram os lápis-de-cor
Que pagavam um bom défice.

Pra fazer a vontade ao lápis
Ficaram lá os amigos
Os desenhos que o lápis desenhava
Ficavam todos preenchidos.

O chefe estava desapontado
Por não ter tinta permanente
A caneta resolveu
O problema facilmente.

Eram cópias e mais cópias
Mas que trabalho tinha
Por isso pediu ao chefe
Para que nem todos tivessem a canetinha.

A caneta estava sozinha
O lápis compreendeu
Foi para a escola
A fazer coisas aprendeu.

Criou um clone da caneta
Pintou-a de vermelho
A caneta tinha uma amiga
Que achava o chefe um fedelho.

Havia necessidade
De ter tinta colorida
Tinta permanente
Com cor verde ficava resolvida.

Um sonho realizado
Impossível mas aconteceu
A verde já lá vinha e pensou:
- Caramba, já anoiteceu!

A caneta aterefada
Precisava duma ajudante
Já tinha colorida
Mas pretinha é que era vamp.

Então lá veio a preta
Tão cansada da viagem
Também milagre que não estivesse.
Ela tinha imensa bagagem!

E assim com tudo feito
Vou guardar o meu escritor
É do lápis que estou a falar
Uma coisa de ao peito pôr.

Agora que tudo arrumado
Na cama me vou deitar
Tão alegre que estou
Uma canção vou cantar!

Afonso Cameirão

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