O meu porta-lápis
Tem
imensas várias coisas
Não
é lugar para mais nada
Do
que p’ras coisas que aqui poisas.
Primeiro veio o lápis
Com
muito bom currículo
Sabia
andar de bicicleta
De
mota e de triciclo.
Depois
de muita discussão
O
lápis foi aprovado
Mas
os colegas que lá estavam
Começaram
a olhá-lo de lado.
Depois
a sua priminha
Decidiu
também aparecer
A
borracha, borrachinha
Veio
só para aprender.
Foi
fácil aprová-la
Com
a sua boa laia
Para
mudar a decisão.
Até
veio de minissaia.
O
lápis ficou lesionado
A
ponta dele gastou-se.
SOS!
Venham socorrer!
A
afia logo chegou.
Com
urgência imediata
A
afia socorreu o pobre
Eles
ficaram de boca aberta
Ficou
com medalha de cobre.
O
lápis sentia-se sozinho
Sem
ninguém da sua espécie
Vieram
os lápis-de-cor
Pra
fazer a vontade ao lápis
Ficaram
lá os amigos
Os
desenhos que o lápis desenhava
Ficavam
todos preenchidos.
O
chefe estava desapontado
Por
não ter tinta permanente
A
caneta resolveu
O
problema facilmente.
Eram
cópias e mais cópias
Mas
que trabalho tinha
Por
isso pediu ao chefe
Para
que nem todos tivessem a canetinha.
A
caneta estava sozinha
O
lápis compreendeu
Foi
para a escola
A
fazer coisas aprendeu.
Criou
um clone da caneta
Pintou-a
de vermelho
A
caneta tinha uma amiga
Que
achava o chefe um fedelho.
Havia
necessidade
De
ter tinta colorida
Tinta
permanente
Com
cor verde ficava resolvida.
Um sonho realizado
Impossível
mas aconteceu
A
verde já lá vinha e pensou:
-
Caramba, já anoiteceu!
A
caneta aterefada
Precisava
duma ajudante
Já
tinha colorida
Mas
pretinha é que era vamp.
Então
lá veio a preta
Tão
cansada da viagem
Também
milagre que não estivesse.
Ela
tinha imensa bagagem!
E
assim com tudo feito
Vou
guardar o meu escritor
É
do lápis que estou a falar
Uma
coisa de ao peito pôr.
Agora
que tudo arrumado
Na
cama me vou deitar
Tão
alegre que estou
Uma
canção vou cantar!
Afonso Cameirão

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