As nossas leituras...






 resultados finais do leitor da semana


1ª semana (29/04 a 03/05)

Inês I





 
2ª semana (06/05 a 10/05)

Inês II



 
3ª semana (13/05 a 17/05)

Soraia

4ª semana (20/05 a 24/05)

Afonso

 
5ª semana (27/05 a 30/05) 

Alicia


LEITOR DO MÊS

Gustavo



À volta de um búzio


Dizem que o búzio nos traz
ao ouvido o som do mar
Mas eu acho que é mentira:
se encosto o búzio ao ouvido
só ouço as ondas do ar.


As ondas do ar me trazem
forte cheiro a maresia.
Mas eu acho que é mentira:
o mar não mora nas nuvens,
nunca em nuvens viveria.



Descem as nuvens no mar 
se acaso a chuva acontece.
Mas eu acho que é mentira:

se encosto o búzio ao ouvido.
ouvir o mar me parece.



                                                   Maria Alberta Menéres 



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Maria Alberta Menéres 


Maria Alberta Rovisco Garcia Meneres de Melo e Castro, mais conhecida por Maria Alberta Meneres. Nasceu no dia 25 de agosto, no ano 1930, em Via Nova de Gaia. O pai chamava-se Alberto Pinto Meneres e a mãe Maria Hermínia de Almeida Rovisco Garcia.
Ela estudou Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Foi professora nos Ensinos Técnico, Preparatório e Secundário, tendo lecionado Língua Portuguesa e História, entre 1965 e 1973.
Entre 1974 e 1986 dirigiu o Departamento de Programas Infantis e Juvenis da Rádio e Televisão de Portugal.
Desenvolveu também atividades de tradutora de literatura infantil e foi diretora de publicações periódicas especializadas em assuntos sobre a infância e a adolescência.
Maria Alberta Menéres iniciou a sua carreira literárias aos 22 anos e, desde então, nunca mais parou. Ela escreve livros infantis, livros de ficção juvenil, livros de poesia, prosa e etc.… Das suas obras, destacamos os livros A beira do Lago dos Encantos, Camões, o Super Herói da Língua Portuguesa, Contos de Perrault e Ulisses, texto lido e analisado no 6º ano.
Em 1986 recebeu o grande prémio de Calouste Gulbenkian.



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um poema...

ou como a simplicidade de um poema traduz a perfeita simbiose entre a beleza da natureza e a pureza de uma criança...



Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.


Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar..

                                                Miguel Torga


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Aquilino Ribeiro


Já que, dentro de quatro dias se comemoram os 50 anos da morte de Aquilino Ribeiro, autor do Romance da Raposa, livro que estudamos nas aulas de Português e de que nós muito gostamos, vamos apresentar um pequeno texto sobre a sua vida e obra.
Aquilino Gomes Ribeiro nasceu no dia 13 de setembro de 1885, em Carregal de Tabosa, conselho de Sernancelhe, distrito de Viseu, na Beira Alta, e faleceu, em Lisboa, no dia 27 de maio de 1963.
Aquilino Ribeiro frequentou o Seminário de Beja mas não concluiu curso. Estudou Letras na Sorbonne em Paris, dedicou-se ao jornalismo e à escrita, tendo colaborado, entre outras publicações, com o Jornal do Comércio, O Século, A Pátria, Ilustração Portuguesa, Diário de Lisboa, República. Pertencido ao grupo que, em 1921, fundou a Seara Nova. Ligou-se ao movimento republicano e interveio ativamente na revolução que pôs fim ao regime monárquico, chegando mesmo a ser preso. Fugiu para Paris onde frequentou a Sorbonne.
Foi ficcionista, autor dramático, cronista e ensaísta destacado.
Aquilino Gomes Ribeiro iniciou a sua obra em 1907 com o folhetim “A filha do Jardineiro”. Cultivou todos os todos os géneros literários tendo assegurado um lugar entre os mais destacados literatos portugueses.
A linguagem das obras de Aquilino Ribeiro caracteriza-se sobretudo por uma grande riqueza e variedade vocabular e pela utilização de construções frásicas de raiz popular, cheias de provincianismos.


 Obras:
Contos


·        A Filha do Jardineiro (1907)
·        Jardim das Tormentas (1913)
·        Valeroso Milagre (1919)
·        Estrada de Santiago, onde se inclui o Malhadinhas (1922)
·        Quando ao Gavião Cai a Pena (1935)
·        Arca de Noé I, II e III (todos de 1963)
·         Sonhos de uma Noite de Natal (1934)


Romances
·        A Via Sinuosa (1918)
·        Terras do Demo (1919)
·         Filhas da Babilônia (1920)
·        Andam Faunos pelos Bosques (1926)
·        O Homem Que Matou o Diabo (1930)
·         A Batalha sem Fim (1932)
·        As Três Mulheres de Sansão (1932)
·         Maria Benigna (1933)
·         Aventura Maravilhosa (1936)
·         S. Bonaboião, Anacoreta e Mártir (1937)
·        Mónica (1939)
·        O Servo de Deus e a Casa Roubada (1941)
·         Volfrâmio (1943)
·         Os avós dos nossos avós (1943)
·        Lápides Partidas (1945)
·         Caminhos Errados (1947)
·         O Arcanjo Negro (1947)
·         Cinco Réis de Gente (1948)
·        A Casa Grande de Romarigães (1957)
·        Quando os Lobos Uivam (1958)
·         O Romance da Raposa (1959)
·         Arcas Encoiradas (1962)
·         Casa do Escorpião (1963)


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carpe diem


Quinto Horácio Flaco (65 - 8 a.C.)
Não procures, Leucónoe, - ímpio será sabê-lo -
que fim a nós os dois os deuses destinaram;
não consultes sequer os números babilónicos:
Melhor é aceitar! E venha o que vier!
Quer Júpiter te dê inda muitos Invernos,
quer seja o derradeiro este que ora desfaz
nos rochedos hostis ondas do mar Tirreno,
vive com sensatez destilando o teu vinho
e, como a vida é breve, encurta a longa esp'rança.
De inveja o tempo voa enquanto nós falamos:
trata pois de colher o dia, o dia de hoje,
que nunca o de amanhã merece confiança.
Horacio, Odes, I, 11                                                          

(tradução de David Mourão-Ferreira)




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balada da neve


Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.
                   Augusto Gil

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